Casal de Barra do Turvo produz o melhor café de São Paulo

 Casal de Barra do Turvo produz o melhor café de São Paulo

Agência SP

Compatilhe essa matéria

No coração do Vale do Ribeira, em Barra do Turvo, o casal de produtores rurais Ozico Pereira, de 72 anos, e Pedrina Pereira, de 70, alcançou um feito inédito no cenário da cafeicultura paulista. Unidos há cinco décadas, os agricultores escreveram uma nova página na história do 24º Concurso Estadual Qualidade do Café de São Paulo, conquistando a maior nota já registrada em todas as edições da prestigiosa competição. Com impressionantes 91,10 pontos na categoria cereja descascado, o café produzido por Ozico e Pedrina não apenas superou recordes anteriores, mas também elevou o padrão de excelência, firmando-se como o melhor café de São Paulo. Essa vitória histórica destaca a dedicação, o conhecimento e o potencial da agricultura familiar na região, provando que a simplicidade no cultivo pode, de fato, gerar frutos extraordinários e de reconhecimento nacional, impulsionando a visibilidade de Barra do Turvo como polo de cafés especiais.

Uma vitória histórica para o Vale do Ribeira

A recente conquista do casal Ozico e Pedrina Pereira no 24º Concurso Estadual Qualidade do Café de São Paulo ressoa como um marco para a cafeicultura do estado. A impressionante pontuação de 91,10 obtida pelo café cereja descascado não é apenas um número, mas um novo patamar de excelência. Até então, o recorde anterior, estabelecido em 2022, era de 90,3 pontos. O feito dos produtores de Barra do Turvo, portanto, representa uma superação significativa e coloca seu produto em uma categoria singular.

O recorde de qualidade e a surpresa dos produtores

O especialista agropecuário da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), Rogério Sakai, elucidou a magnitude da pontuação alcançada. Segundo Sakai, cafés gourmet são classificados entre 80 e 85 pontos, enquanto os especiais variam de 85 a 90 pontos. A partir de quatro anos, estabeleceu-se uma nova classificação para cafés que ultrapassam os 90 pontos, denominando-os de “extraordinários”. O café de Ozico e Pedrina, com seus 91,10 pontos, transcende essas categorias, consolidando-se como um exemplar de qualidade ímpar. A participação do casal no concurso foi, inicialmente, uma experiência. “O prêmio foi uma surpresa, pois eu nunca pensei que poderíamos ganhar e isso foi importante, porque com o reconhecimento aumentaram os meus clientes e as vendas de café”, declarou Ozico Pereira, expressando a inesperada reviravolta que a vitória trouxe para seus negócios. Ele também enfatizou a honra de “representar o nosso município” em uma competição de tamanha relevância. Pedrina Pereira, por sua vez, complementou: “Nós sofremos muito para chegar até aqui, mas agora estamos colhendo os frutos. Ficamos muito felizes pela conquista deste prêmio”, ressaltando a jornada de trabalho árduo e a alegria pela recompensa.

A simplicidade que gera excelência: o método Pereira

A história de Ozico e Pedrina Pereira é um testemunho de como a sabedoria acumulada em décadas de agricultura familiar, combinada com práticas de cultivo conscientes, pode resultar em um produto de qualidade superior. A produtora Pedrina, que cresceu observando o pai cultivar café, acredita firmemente que a simplicidade no processo de produção é um pilar fundamental para uma safra valorizada. O método utilizado pelo casal destoa das abordagens intensivas e mecanizadas, focando em um manejo mais natural e atento às necessidades da planta e do solo.

Do sistema agroflorestal à colheita cuidadosa

A safra premiada, cujas mudas foram plantadas há cinco anos, foi cultivada em um sistema agroflorestal. Este modelo de produção, que integra árvores e arbustos com cultivos agrícolas, promove a biodiversidade e a sustentabilidade, contribuindo para a saúde do solo e a resiliência do ecossistema. A área rural de 6 mil metros quadrados, com aproximadamente 4 mil pés de café plantados, reflete a escala familiar da operação. Pedrina Pereira detalha a simplicidade das técnicas empregadas: “As mudas de café foram plantadas e, para roçar, utilizei a roçadeira, depois, realizei apenas duas capinadas. Não precisou de adubo, não precisou de nada”, revelou. Essa abordagem minimalista, que dispensa insumos químicos e adubos sintéticos, sugere que o segredo reside na observação atenta, no manejo orgânico e na colheita seletiva. Juliana Cordeiro, presidente da Associação do Café e Cultura de Barra do Turvo, reforça essa ideia ao destacar que, como pequenos produtores, a prioridade é a qualidade em detrimento da quantidade. “Nós conseguimos realmente dar uma atenção especial a esse tipo de café, colhendo ele somente em cereja e tendo um trabalho de secagem, tudo realmente com mais calma e isso resultou nesse café extraordinário”, explicou Juliana, reiterando que a dedicação exclusiva a uma variedade e o cuidado meticuloso em cada etapa do processo são cruciais para alcançar um café de qualidade extraordinária, características que Ozico e Pedrina demonstraram maestria.

O apoio institucional e o futuro da cafeicultura na região

O sucesso alcançado pelos produtores de Barra do Turvo não é um evento isolado, mas o resultado de um esforço conjunto e contínuo para fomentar a cafeicultura na região. Desde 2012, a Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) mantém um projeto em parceria com a prefeitura de Barra do Turvo, visando promover o cultivo do café arábica. Essa iniciativa tem sido fundamental para capacitar produtores, oferecer suporte técnico e incentivar a adoção de boas práticas agrícolas, transformando o cenário local.

Parcerias estratégicas e o reconhecimento de Barra do Turvo

O especialista agropecuário Rogério Sakai, da CATI, destaca a importância dessa colaboração: “Desde então, nós temos dado apoio junto à prefeitura e aos produtores, nessa parceria de incentivar a produção na região. Isso trouxe resultados como as premiações nos concursos de café dos anos anteriores e deste último ano”. Essa fala sublinha como a persistência e o investimento em conhecimento e assistência técnica geram frutos tangíveis, como o recorde de Ozico e Pedrina. A parceria entre entidades governamentais e os cafeicultores locais tem sido um catalisador para a melhoria da qualidade do café produzido em Barra do Turvo, estabelecendo o município como uma referência. Juliana Cordeiro, da Associação do Café e Cultura de Barra do Turvo, corrobora essa visão, enfatizando que a dedicação à qualidade é um diferencial. “Como somos pequenos produtores, a primeira coisa em destaque é a quantidade. Então, nós conseguimos realmente dar uma atenção especial a esse tipo de café”, ela frisou, apontando que a atenção focada na colheita em cereja e no processo de secagem meticuloso são fatores-chave para a excelência do café local. O Concurso Estadual Qualidade do Café de São Paulo, realizado há mais de 20 anos pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, serve como vitrine para esses talentos, premiando anualmente os melhores cafés paulistas e reforçando o protagonismo do estado na produção de cafés especiais e de alta qualidade. A vitória de Ozico e Pedrina é um testemunho vibrante do sucesso dessas parcerias e do potencial de uma região que, com o devido apoio e dedicação, pode produzir cafés que se destacam no cenário nacional e internacional.

O legado de Ozico e Pedrina e a inspiração para o setor

A jornada de Ozico e Pedrina Pereira de Barra do Turvo não é apenas uma história de sucesso individual, mas um farol de inspiração para toda a comunidade cafeicultora do estado de São Paulo e do Brasil. A conquista do maior prêmio na história do Concurso Estadual Qualidade do Café demonstra que a experiência, a paixão pela terra e a aplicação de métodos de cultivo simples, porém eficazes e sustentáveis, podem levar à excelência. Seu café extraordinário, fruto de cinco décadas de união e trabalho dedicado, elevou o patamar de qualidade e colocou Barra do Turvo em destaque no mapa dos cafés especiais. O reconhecimento obtido não só ampliou as vendas e a clientela do casal, mas também solidificou a reputação do Vale do Ribeira como uma região promissora para a produção de cafés de alta gama. Ozico e Pedrina simbolizam a resiliência e a capacidade da agricultura familiar de inovar e prosperar, provando que é possível atingir o topo da qualidade sem comprometer os princípios de cuidado ambiental e social. Seu legado é um lembrete poderoso de que o investimento em conhecimento, o apoio institucional e a dedicação exclusiva ao produto são ingredientes essenciais para a produção de um café verdadeiramente extraordinário, digno dos mais altos reconhecimentos.

Perguntas frequentes sobre o café premiado de Barra do Turvo

Qual a pontuação recorde alcançada pelo casal Pereira?
Ozico e Pedrina Pereira alcançaram a maior nota já registrada na história do Concurso Estadual Qualidade do Café de São Paulo, com 91,10 pontos na categoria cereja descascado.

Como o café foi cultivado para atingir essa qualidade?
O café foi cultivado em um sistema agroflorestal, com práticas simples como duas capinadas e o uso de roçadeira, dispensando a necessidade de adubo, conforme detalhado pela produtora Pedrina Pereira.

Qual o papel da CATI no desenvolvimento da cafeicultura em Barra do Turvo?
Desde 2012, a Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) mantém um projeto com a prefeitura de Barra do Turvo para promover o cultivo de café arábica, oferecendo apoio técnico e incentivando a produção de qualidade na região.

Onde posso encontrar o café dos produtores Ozico e Pedrina?
Com o reconhecimento no concurso, a demanda pelo café dos produtores Ozico e Pedrina aumentou. Para adquirir esse café extraordinário, o ideal é entrar em contato diretamente com a Associação do Café e Cultura de Barra do Turvo ou pesquisar em mercados de produtos especiais que valorizam a produção familiar de alta qualidade.

Explore os sabores e aromas que tornam São Paulo uma referência em cafés especiais. Procure o café de Ozico e Pedrina e apoie os produtores que cultivam a excelência em nosso estado.

Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br

Relacionados