Epstein pagou ex-embaixador britânico em transações com menção a brasileiro

 Epstein pagou ex-embaixador britânico em transações com menção a brasileiro

Peter Mandelson foi embaixador do Reino Unido nos EUA, secretário do governo Gordon Brown e memb…

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Novos documentos judiciais trouxeram à tona detalhes adicionais sobre as complexas e sombrias operações financeiras de Jeffrey Epstein, o financista condenado por crimes sexuais. As revelações mais recentes indicam pagamentos significativos, totalizando US$ 75 mil (equivalente a R$ 390 mil), destinados a contas bancárias ligadas a Peter Mandelson, uma figura proeminente da política britânica. Estes depósitos, realizados entre 2011 e 2012, período posterior à condenação de Epstein por agenciamento de prostituição, levantam questões sobre a natureza de suas relações e a extensão de sua rede. Os registros financeiros também apontam para uma conexão envolvendo um cidadão brasileiro associado ao escritório de Mandelson, adicionando uma nova camada de complexidade ao escândalo global. As transações foram identificadas e sinalizadas pelo banco JPMorgan Chase, no centro de um processo judicial por sua suposta facilitação das atividades ilícitas de Epstein.

Pagamentos controversos a Peter Mandelson e o elo brasileiro

Detalhes das transações e a defesa de Mandelson

Os documentos judiciais recentemente divulgados revelam que Jeffrey Epstein, por meio de uma de suas empresas, a Southern Trust Company, efetuou pagamentos totalizando US$ 75 mil (cerca de R$ 390 mil) para contas bancárias no Reino Unido e nos Estados Unidos. Estes pagamentos foram feitos entre 2011 e 2012 e foram ligados a Peter Mandelson, um político britânico com uma carreira distinta, tendo servido como ex-embaixador britânico na União Europeia e ex-secretário de Estado no Reino Unido. O período em que os pagamentos ocorreram é particularmente notável, pois sucedeu a condenação de Epstein em 2008 por agenciar prostituição.

Embora a finalidade exata dos pagamentos não tenha sido explicitada nos registros judiciais, Mandelson se pronunciou sobre o assunto. Ele afirmou que as transações eram completamente legais e estavam relacionadas a serviços de consultoria que ele teria prestado. A menção de que os depósitos foram marcados pelo JPMorgan Chase como “EPSTEIN SUB-ACCOUNTS” e “EPSTEIN RELATED” em seus sistemas internos sugere uma clara associação com as operações do financista, o que intensifica o escrutínio sobre a natureza dessa relação comercial.

Adicionalmente, os registros financeiros trazem à tona a citação de um cidadão brasileiro, cuja ligação com o escritório de Peter Mandelson é mencionada. Embora os documentos não detalhem a natureza exata do envolvimento do brasileiro, sua aparição nos registros que conectam Epstein e Mandelson adiciona um elemento de interesse internacional ao caso, indicando a vasta rede de contatos e transações que o financista possuía, ultrapassando fronteiras e envolvendo figuras de alto perfil em diversas esferas. A relevância dessa conexão ainda está sendo avaliada, mas destaca a complexidade das relações financeiras de Epstein.

O papel do JPMorgan Chase e a rede de contatos de Epstein

O escândalo do JPMorgan e a figura de Jes Staley

As revelações dos pagamentos a Mandelson e outras informações fazem parte de um processo judicial movido contra o banco JPMorgan Chase. O banco foi acusado de facilitar as operações de tráfico sexual de Jeffrey Epstein, ignorando ou negligenciando as bandeiras vermelhas em suas transações financeiras por anos. Em um acordo judicial significativo, o JPMorgan Chase concordou em pagar US$ 290 milhões às vítimas de Epstein, um reconhecimento implícito das falhas em sua supervisão.

No cerne da defesa do banco e das acusações, emerge a figura de James “Jes” Staley, um ex-executivo de alto escalão. Staley foi chefe da área de gestão de fortunas do JPMorgan e, posteriormente, CEO do Barclays. O JPMorgan Chase culpou Staley por ocultar a verdadeira natureza das relações de Epstein com a instituição, alegando que ele teria cumprido cegamente as ordens de Epstein para “obter e manter o maior número possível de contas de altíssimo patrimônio líquido”.

Por outro lado, Jes Staley também processou o JPMorgan, defendendo-se das acusações e alegando que o banco estava plenamente ciente das atividades de Epstein e buscava lucrar com a associação. Os documentos revelam que Staley trocou mais de 1.200 e-mails com Epstein e visitou as propriedades do financista pelo menos 20 vezes. Mesmo após a primeira condenação de Epstein, Staley o defendeu, descrevendo-o como um “profissional sério e respeitável”. Essa troca de acusações entre o banco e seu ex-executivo sublinha a tentativa de cada parte de desviar a responsabilidade pelo relacionamento com Epstein. O JPMorgan, por sua vez, nega ter ocultado informações e argumenta que a diretoria e a gerência não estavam cientes dos detalhes das relações de Staley com Epstein.

Outras conexões reveladas e planos de Epstein

A vasta liberação de documentos judiciais nas últimas semanas trouxe à luz uma teia de conexões de Jeffrey Epstein que se estende por diversos setores da sociedade global. Mais de 150 nomes foram citados, incluindo figuras proeminentes como o músico Michael Jackson, o renomado físico Stephen Hawking e o ex-presidente Donald Trump, embora a natureza exata do envolvimento de cada um varie e não implique necessariamente cumplicidade em crimes.

Os documentos também detalham planos ambiciosos e perturbadores de Epstein. Foi revelado que ele tentou vender um portfólio de criptomoedas avaliado em US$ 12 bilhões para a FTX e seu fundador, Sam Bankman-Fried, pouco antes do colapso da exchange. Embora Bankman-Fried tenha alegado desconhecer o passado criminoso de Epstein, os documentos sugerem o contrário, indicando que ele estava ciente da reputação do financista.

Além disso, Epstein demonstrou interesse em investir na empresa de biotecnologia Moderna e, de forma chocante, planejava usar suas vítimas para “experimentos” em projetos de eugenia e prolongamento da vida. As revelações também mostraram que Epstein convidou figuras como a ex-primeira-dama Melania Trump e Ivanka Trump, filha do ex-presidente Donald Trump, para eventos. Houve ainda o seu envolvimento em um projeto de construção de uma escola com o ex-presidente Bill Clinton, ressaltando a sua capacidade de se infiltrar em círculos de alto poder e influência.

Implicações de uma rede em desvendamento

As contínuas revelações dos documentos de Jeffrey Epstein não apenas lançam luz sobre a extensão de suas atividades criminosas, mas também expõem a vasta e complexa rede de indivíduos e instituições que, de alguma forma, interagiram com ele. A cada nova leva de informações, a percepção pública sobre o alcance de sua influência e a cumplicidade de diferentes atores se aprofunda. Este escrutínio incessante tem levado a consequências legais e reputacionais significativas para bancos, executivos e figuras públicas, forçando uma reavaliação de responsabilidades e condutas éticas. O desvendamento dessa rede ressalta a importância da transparência e da responsabilização para garantir que tais abusos não se repitam.

FAQ

Quais são as principais novas revelações sobre Jeffrey Epstein?
As principais novas revelações incluem pagamentos de US$ 75 mil a contas ligadas a Peter Mandelson, ex-embaixador britânico, a menção a um brasileiro nos registros dessas transações, detalhes sobre o envolvimento do ex-executivo Jes Staley com Epstein, e planos perturbadores de Epstein para investimentos em criptomoedas e biotecnologia, além de menções a diversas personalidades.

Quem é Peter Mandelson e qual a sua alegada conexão com Epstein?
Peter Mandelson é um proeminente político britânico, ex-embaixador na União Europeia e ex-secretário de Estado. Ele recebeu pagamentos de US$ 75 mil de empresas de Epstein entre 2011 e 2012, após a condenação do financista. Mandelson declarou que os pagamentos eram legais e relacionados a serviços de consultoria.

Qual o envolvimento do JPMorgan Chase no escândalo de Epstein?
O JPMorgan Chase foi processado sob acusação de facilitar as operações de tráfico sexual de Epstein. O banco pagou US$ 290 milhões em acordo judicial às vítimas e culpou seu ex-executivo Jes Staley por ocultar a natureza das relações com Epstein.

Qual a relação de Jes Staley com Jeffrey Epstein?
Jes Staley, ex-chefe da divisão de gestão de fortunas do JPMorgan e ex-CEO do Barclays, trocou mais de 1.200 e-mails com Epstein e o visitou 20 vezes. Ele é acusado pelo JPMorgan de ter cumprido cegamente as ordens de Epstein para atrair clientes de alto patrimônio, enquanto Staley, por sua vez, alega que o banco tinha conhecimento das atividades ilícitas e buscava lucrar com elas.

Havia algum plano inusitado de Epstein revelado nos documentos?
Sim, os documentos revelam que Epstein tentou vender seu portfólio de US$ 12 bilhões em criptomoedas para a FTX e Sam Bankman-Fried, e expressou interesse em investir na Moderna, com planos de usar suas vítimas para “experimentos” em projetos de eugenia e longevidade.

Para se manter atualizado sobre os próximos desdobramentos e análises aprofundadas deste caso complexo, continue acompanhando nossas publicações.

Fonte: https://www.terra.com.br

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