Censo revela a precariedade no entorno de favelas em campinas

 Censo revela a precariedade no entorno de favelas em campinas

G1

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Um retrato da desigualdade urbana em Campinas emerge dos dados do Censo 2022, revelando a carência de serviços básicos no entorno das favelas e comunidades da cidade. O levantamento do IBGE expõe a dificuldade de acesso a infraestruturas essenciais para uma parcela significativa da população, impactando diretamente na qualidade de vida e bem-estar dos moradores.

De acordo com o Censo, em 118 favelas e comunidades urbanas de Campinas, residem 140,7 mil pessoas, o que corresponde a 12,3% da população total do município. Destes moradores, a maioria (66,6%) se autodeclara preta ou parda, evidenciando a concentração da população mais vulnerável nessas áreas.

O estudo detalha a falta de infraestrutura básica no entorno dessas moradias. Uma das maiores carências é a ausência de pontos de ônibus: quase 90% dos moradores de favelas em Campinas não têm um ponto de ônibus acessível na rua de casa, o que dificulta o deslocamento para trabalho, estudo e outros serviços. A falta de saneamento também é alarmante: 62,3% não têm acesso a bueiros ou bocas de lobo para o escoamento de água pluvial. Quase metade (47%) não dispõe de ruas pavimentadas, e 43,2% não têm calçadas. A falta de arborização atinge 36,56% dos moradores, enquanto 15,2% sofrem com a ausência de iluminação pública.

Moradores de comunidades como o Jardim Rosália IV, um bairro com 27 anos de existência, relatam a ausência de asfalto, calçada, rede de esgoto e iluminação. Apesar da conquista de uma linha de ônibus, ainda enfrentam a falta de infraestrutura que dificulta o acesso a serviços essenciais como coleta de lixo e entrega de correspondências, além de impactar a segurança e saúde.

Em outra área irregular, conhecida como Buraco do Sapo, no Jardim Novo Flamboyant, a situação é semelhante. Ruas estreitas, falta de calçadas e rede de esgoto, e a irregularidade da fiação elétrica são problemas que persistem há décadas.

Especialistas apontam a necessidade de mapeamento e regularização dessas áreas irregulares pelo poder público. No entanto, ressaltam que a regularização fundiária sozinha não garante a infraestrutura e a qualidade de vida. É fundamental a implementação de políticas públicas intersetoriais que abordem as diversas necessidades dessas comunidades.

A CPFL informou que a regularização das ligações de energia no Jardim Novo Flamboyant depende de adequação urbanística pela prefeitura. A administração municipal, por sua vez, informou que a legislação exige um plano de regularização fundiária para realizar obras de infraestrutura e que tem mapeado os bairros para possível regularização, sem, no entanto, definir um prazo. A prefeitura também informou que já regularizou núcleos habitacionais e realizou pavimentação em alguns bairros, incluindo o Buraco do Sapo, além da limpeza do córrego local. Quanto às ruas estreitas sem acesso a ônibus, a prefeitura afirma que existem linhas próximas. A administração também informou que está implementando microflorestas na cidade.

Fonte: g1.globo.com

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