Blocos afros em São Luís: a essência cultural que pulsa no carnaval

 Blocos afros em São Luís: a essência cultural que pulsa no carnaval

© Foto: @caosinfinito

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No efervescente cenário do carnaval de São Luís, os blocos afros despontam anualmente como verdadeiros corações pulsantes da cultura maranhense. Essas manifestações não são meros desfiles festivos; são a materialização vívida da ancestralidade, da resiliência e da força inabalável da cultura negra no estado. Ao trazerem para as ruas a riqueza de suas tradições, os blocos afros reforçam a identidade de um povo e celebram a herança africana que moldou a sociedade maranhense. Sua presença robusta na programação carnavalesca garante não apenas a diversão, mas também a manutenção e o reconhecimento de um legado cultural que ecoa através das gerações, transformando o Centro Histórico em um palco de emoções e memórias.

A força ancestral dos blocos afros no carnaval ludovicense

O carnaval de São Luís ganha uma dimensão profunda e vibrante com a participação dos blocos afros, que trazem consigo um portal para a história e a cultura africana. Longe de serem apenas atrações, esses grupos são embaixadores de uma herança milenar, resgatando a estética e a energia dos guerreiros das tribos africanas. Suas vestimentas, adereços e a coreografia dos integrantes são cuidadosamente elaborados para reverenciar essa ancestralidade, transformando cada cortejo em uma aula viva de história e resistência. A riqueza visual é complementada por uma sonoridade que remete aos tambores que ecoavam nas senzalas, um som que, hoje, celebra a liberdade e a força de um povo.

O resgate da estética e da sonoridade africana

A preparação para o cortejo dos blocos afros é um processo minucioso que envolve meses de ensaios e a confecção de indumentárias que são verdadeiras obras de arte. Cada detalhe, desde os colares de contas coloridas até os cocares majestosos e as estampas vibrantes, busca refletir a diversidade e a riqueza das culturas africanas. A coreografia, por sua vez, é uma expressão corporal poderosa, carregada de simbolismo e história, que narra a jornada de resistência e celebração.

Nesta sexta-feira, a partir das quatro da tarde, a capital maranhense testemunhou – e continuará a testemunhar – a magnitude desse espetáculo. Catorze blocos afros tomaram as ruas do Centro Histórico, transformando o casario centenário, tombado como Patrimônio Mundial da Humanidade, em um cenário majestoso para a celebração. A concentração, na emblemática Praça Deodoro, deu início a um percurso envolvente que culminou na Praça Nauro Machado. Entre os grupos que participaram deste desfile memorável, estavam nomes de grande representatividade como Abibimã, Africanidade, Akomabu, Aruanda, GDAM, Officina Affro e Filhos do Rei Xangô, cada um trazendo sua identidade única, mas unidos pela mesma missão de celebrar a africanidade. A batida ritmada dos tambores, que preenche o ar e reverbera nas paredes antigas, é mais do que música; é a voz dos ancestrais, uma chamada à memória e à celebração da identidade cultural.

Guardiões da tradição e agentes de transformação social

Os blocos afros do Maranhão transcendem o papel de meras atrações carnavalescas, assumindo a vital função de guardiões das tradições de matriz africana. Sua atuação se estende por diversas esferas da cultura, desde a religiosidade e a música, até o vestuário e a culinária, garantindo que o legado africano continue vivo e vibrante na sociedade maranhense. Eles não apenas preservam, mas também promovem um profundo engajamento social e cultural.

Além da folia: cultura, religiosidade e ações comunitárias

A influência dos blocos afros se manifesta de maneira integral nas comunidades onde atuam. Longe dos holofotes do carnaval, esses grupos realizam um trabalho contínuo de ações sociais e formativas. Através de oficinas de percussão, dança, artesanato e culinária afro-brasileira, eles oferecem oportunidades de aprendizado e desenvolvimento, especialmente para jovens e crianças. Essas iniciativas não só transmitem conhecimentos e habilidades, mas também fortalecem a autoestima, o senso de pertencimento e a valorização da identidade cultural afro-maranhense. Muitos integrantes desses blocos mantêm uma profunda ligação com outras manifestações culturais típicas do estado, como o Bumba Meu Boi e o Tambor de Crioula. Essa interconexão cultural demonstra a rica tapeçaria de tradições que compõe o Maranhão, onde as festas populares se entrelaçam e se retroalimentam, mantendo viva a chama da cultura popular.

Entre os blocos mais antigos e respeitados, destacam-se o Akomabu, fundado em 1984, e o Abibimã, que surgiu em 1990. Esses grupos pioneiros são pilares da cultura afro-maranhense, com décadas de atuação na preservação e difusão das tradições. Seu legado é um testemunho da persistência e da paixão em manter viva a memória e a arte de seus ancestrais, inspirando novas gerações a abraçar essa rica herança.

O legado do GDAM e a diversidade rítmica do carnaval

O Grupo de Dança Afro Malungos (GDAM) é um exemplo notável da capacidade de inovação e preservação cultural dentro do movimento dos blocos afros. Além de sua contribuição tradicional com o Grupo de Dança Afro Malungos, o GDAM é também o idealizador e responsável por outra manifestação marcante do carnaval ludovicense: o Bloco do Reggae. Neste ano, o Bloco do Reggae celebra duas décadas de existência, uma prova da força e da paixão pelo ritmo jamaicano que tem raízes profundas no Maranhão, carinhosamente conhecido como a “Jamaica Brasileira”.

A edição de aniversário do Bloco do Reggae presta uma homenagem especial a duas lendas eternas do ritmo: os cantores Jimmy Cliff e Bob Marley. Essa celebração não é apenas um tributo musical, mas um reconhecimento da influência global do reggae e de como ele encontrou um lar tão acolhedor e vibrante nas terras maranhenses. A fusão do reggae com a cultura afro-brasileira, orquestrada pelo GDAM, demonstra a capacidade de diálogo e intercâmbio cultural que enriquece ainda mais o carnaval de São Luís, tornando-o um caldeirão de ritmos e identidades.

A perenidade cultural dos blocos afros

Os blocos afros são, indiscutivelmente, a alma e a voz de uma parte essencial da identidade maranhense. Eles representam a capacidade de transformar a memória em celebração, a resistência em arte e a ancestralidade em um futuro vibrante. A cada ano, no carnaval de São Luís, esses grupos reforçam seu papel não apenas como animadores da folia, mas como educadores culturais e agentes de transformação social, garantindo que a rica herança africana continue a inspirar e a moldar a sociedade. Sua presença assegura que a história e a força da cultura negra sejam contadas, cantadas e dançadas por muitas gerações vindouras, consolidando o carnaval ludovicense como um evento de profunda relevância cultural e social.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que são os Blocos Afros do Maranhão?
Os Blocos Afros do Maranhão são manifestações culturais que celebram a ancestralidade, a resistência e a força da cultura negra no estado, especialmente durante o Carnaval de São Luís. Eles resgatam a estética e a sonoridade das tradições africanas através de suas vestimentas, músicas e danças.

Qual a importância dos Blocos Afros no Carnaval de São Luís?
Eles são um dos grandes destaques da programação carnavalesca, representando não apenas uma forma de entretenimento, mas também um pilar fundamental na preservação e difusão da cultura de matriz africana, além de promoverem a conscientização e a valorização da identidade negra.

Os Blocos Afros realizam atividades além do período carnavalesco?
Sim. Muitos blocos afros atuam como guardiões das tradições de matriz africana em diversas áreas (religiosidade, música, vestuário, culinária) e realizam ações sociais e formativas contínuas junto às comunidades, oferecendo oficinas e promovendo o desenvolvimento cultural e social.

Quais são alguns dos Blocos Afros mais antigos do Maranhão?
Entre os blocos mais antigos e respeitados, destacam-se o Akomabu, fundado em 1984, e o Abibimã, que iniciou suas atividades em 1990, ambos com um longo histórico de contribuição para a cultura afro-maranhense.

Qual é a relação do GDAM com o Bloco do Reggae?
O Grupo de Dança Afro Malungos (GDAM) é o responsável pelo Bloco do Reggae, uma outra importante manifestação do carnaval ludovicense. O Bloco do Reggae, que celebra 20 anos, homenageia figuras icônicas do ritmo como Jimmy Cliff e Bob Marley, evidenciando a forte ligação do Maranhão com a cultura reggae.

Não perca a chance de vivenciar a energia contagiante e a riqueza cultural dos blocos afros no próximo carnaval de São Luís. Planeje sua visita e mergulhe nessa celebração única!

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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