Degradação Atinge Mais de Um Quarto da Costa Fluminense, Revela Estudo da UFF

 Degradação Atinge Mais de Um Quarto da Costa Fluminense, Revela Estudo da UFF

© Fernando Frazão/Agência Brasil

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A vital zona costeira do estado do Rio de Janeiro enfrenta um cenário preocupante: uma pesquisa inédita da Universidade Federal Fluminense (UFF) aponta que mais de 25% de sua extensão é considerada instável. O levantamento, detalhado no “Inventário da Degradação do Solo na Zona Costeira do Rio de Janeiro”, oferece um panorama alarmante sobre a saúde ambiental de uma das regiões mais importantes e sensíveis do país, resultado de uma análise minuciosa de quatro décadas de dados.

Diagnóstico Abrangente: A Extensão da Análise Costeira

O estudo da UFF mergulhou na complexidade da geografia fluminense, examinando uma vasta área de aproximadamente 22 mil quilômetros quadrados. A abrangência territorial da pesquisa é notável, englobando municípios cruciais que se estendem desde o balneário de Búzios, no leste, até São Francisco de Itabapoana, no extremo norte do litoral. Adicionalmente, o inventário incluiu importantes localidades do interior e da renomada Costa Verde, como Cachoeiras de Macacu, Maricá, Itaguaí, Mangaratiba, Angra dos Reis e a histórica Paraty, oferecendo uma visão holística da dinâmica costeira e suas interações com o continente.

Fatores Críticos e Áreas de Maior Risco Identificadas

A análise do Inventário revelou que a faixa litorânea entre Maricá e São Francisco de Itabapoana, localizada na região nordeste do estado, representa o trecho de maior vulnerabilidade. Nesta área, os principais vetores de degradação são o desmatamento intensivo, impulsionado pela expansão da pecuária e pelo cultivo histórico de café. Dos mais de 2.400 quilômetros quadrados classificados como degradados em todo o território estudado, uma significativa porção de 1.916 quilômetros quadrados corresponde a zonas instáveis que foram categorizadas com alta prioridade para intervenções de recuperação ambiental, demandando ações urgentes.

Impacto nos Ecossistemas e Causas Múltiplas da Degradação

O professor Fábio Ferreira, do departamento de Análise Geoambiental da UFF, destacou que um dos achados mais alarmantes foi a degradação em ecossistemas de vital importância, como as áreas úmidas e os manguezais. Esses ambientes desempenham um papel crucial na proteção da linha costeira contra fenômenos naturais e na manutenção da biodiversidade. Além do desmatamento, outras causas significativas de instabilidade e degradação identificadas incluem processos erosivos acentuados, instabilidades decorrentes do turismo desordenado e a ocorrência frequente de incêndios, que em conjunto contribuem para a fragilização do ambiente costeiro.

Consequências Amplas e a Urgência da Intervenção

A persistência desse cenário de degradação ameaça não apenas as áreas já comprometidas, mas também os “hotspots” – regiões reconhecidas por sua riqueza em biodiversidade e que já se encontram sob ameaça de conservação. O professor Ferreira adverte para as consequências ainda mais graves que podem advir, como a perda irreversível de camadas férteis do solo e o assoreamento de rios, impactando diretamente os recursos hídricos e a produção agrícola. Diante dessa realidade, ele enfatiza a necessidade premente de uma abordagem multifacetada para a recuperação, que contemple tanto ações curativas, para reverter danos existentes, quanto medidas preventivas, para evitar novas degradações.

Rumo à Sustentabilidade: O Papel Orientador do Estudo

O propósito fundamental do “Inventário da Degradação do Solo na Zona Costeira do Rio de Janeiro” transcende o diagnóstico, buscando ser uma ferramenta estratégica. Segundo o professor Fábio Ferreira, a pesquisa visa instrumentalizar as prefeituras locais, fornecendo dados técnicos e científicos sólidos. Com essas informações, os gestores municipais poderão aprimorar seus planejamentos territoriais, guiar o crescimento urbano de maneira mais segura, e implementar políticas públicas que promovam um desenvolvimento verdadeiramente sustentável e resiliente para toda a costa fluminense.

A integridade da costa do Rio de Janeiro é um patrimônio natural e econômico inestimável. O estudo da UFF não apenas acende um alerta sobre a fragilidade de mais de um quarto de sua extensão, mas também oferece um roteiro claro para a tomada de decisões. A implementação das estratégias curativas e preventivas, pautadas nos dados científicos, é crucial para assegurar a saúde desses ecossistemas vitais e garantir um futuro mais equilibrado para as comunidades e a biodiversidade local.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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