Gêmeas unidas pela cabeça passam por terceira cirurgia de separação em Ribeirão

 Gêmeas unidas pela cabeça passam por terceira cirurgia de separação em Ribeirão

G1

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As gêmeas Heloísa e Helena, que nasceram unidas pela cabeça, deram mais um passo crucial em sua jornada de separação neste sábado, 28 de outubro, no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Este terceiro procedimento cirúrgico, focado na delicada separação dos crânios, representa uma fase vital em um complexo plano de cinco etapas. A intervenção contou com a expertise de uma equipe multidisciplinar composta por mais de 50 profissionais, incluindo neurocirurgiões, pediatras e cirurgiões plásticos, todos sob a coordenação do professor Jayme Farina Junior. A expectativa para esta etapa era de uma duração de aproximadamente oito horas, consolidando o Hospital das Clínicas como uma referência nacional em casos de gêmeas siamesas craniópagas, oferecendo esperança a essas famílias. A segunda cirurgia das meninas, de 1 ano e 10 meses, havia ocorrido em novembro anterior e durou cerca de dez horas. Elas tiveram alta após 19 dias.

O desafiador caminho para a separação completa

A jornada de Heloísa e Helena é meticulosamente planejada para ocorrer em cinco etapas cirúrgicas até a separação completa, prevista para acontecer ainda neste ano. Cada procedimento é crucial e visa preparar os corpos das meninas para o próximo estágio, dada a complexidade de estarem unidas pela cabeça. A primeira das cirurgias foi realizada em 23 de agosto do ano passado, marcando o início de um processo que teve seu planejamento desde 2024, com exames detalhados e acompanhamento contínuo.

Cronograma e complexidade cirúrgica

Nos quatro primeiros procedimentos, a equipe médica concentra-se na separação cuidadosa de tecidos, vasos sanguíneos e das estruturas que conectam os crânios e os cérebros de Heloísa e Helena. A intervenção mais recente, ocorrida neste sábado, foi a terceira dessa série. O professor Jayme Farina Junior enfatiza a natureza delicada dessas operações. “Tem que ser uma separação muito delicada, não pode ser rápida, porque provoca muito sangramento; é uma cirurgia bem delicada e o cérebro precisa ir se adaptando”, explica o médico, que comanda a equipe multiprofissional envolvida.

A quarta etapa, que deve ser realizada já em março, envolverá a inserção de enxertos ósseos e expansores de pele. Esses elementos são essenciais para preparar as cabeças das meninas para a fase final: a cirurgia plástica. Nela, será feito o fechamento dos tecidos que revestem os crânios, culminando na separação completa. A expectativa é que a quinta e última etapa seja concluída até o fim deste ano, transformando a vida das irmãs e permitindo-lhes uma nova perspectiva de desenvolvimento.

A referência do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto

O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto solidificou sua posição como um centro de excelência em cirurgias de separação de gêmeos siameses no Brasil. O caso de Heloísa e Helena, oriundas de São José dos Campos (SP), é o terceiro procedimento de alta complexidade conduzido com sucesso pela instituição, que acumula experiência e desenvolve técnicas inovadoras para esses desafios únicos. A expertise adquirida ao longo dos anos fez da unidade um polo de atração para casos complexos de todo o país.

Histórico de sucesso e tecnologia avançada

O retrospecto do HC de Ribeirão Preto é inspirador. Em 2018, após dois anos de acompanhamento e análises intensivas, a equipe médica alcançou a separação bem-sucedida das irmãs Maria Ysabelle e Maria Ysadora, provenientes do Ceará. Já o segundo caso envolveu as gêmeas Alana e Mariah, que nasceram em Ribeirão Preto e vivem com a família em Piquerobi (SP). A separação definitiva delas ocorreu em agosto de 2023, após uma maratona cirúrgica de 25 horas, um marco na medicina brasileira. Alana e Mariah se recuperam em casa e desfrutam de suas vidas independentes, após o sucesso do procedimento.

Para otimizar o planejamento e a execução dessas cirurgias, o hospital utiliza tecnologia de ponta, incluindo modelos 3D detalhados e realidade aumentada. Essas ferramentas permitem aos médicos simular os procedimentos e identificar os caminhos mais seguros e eficazes para a separação, minimizando riscos e maximizando as chances de sucesso, além de proporcionar um entendimento mais aprofundado da anatomia complexa das crianças.

Amarildo Batista da Silva, pai de Heloísa e Helena, acompanha as filhas com uma mistura de esperança e ansiedade a cada nova etapa. “Não vejo a hora. É sempre com aquele medo , mas medo faz parte da vida. Elas precisam muito dessa separação para poder ver o rostinho uma da outra, poder brincar”, expressa ele, refletindo o sentimento de inúmeras famílias que buscam a chance de uma vida plena para seus filhos unidos.

Perspectivas e o legado de esperança

A trajetória de Heloísa e Helena, marcada pela resiliência e pela dedicação médica, ressalta a capacidade do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto em realizar feitos cirúrgicos de rara complexidade. Cada etapa vencida não é apenas um avanço médico, mas um passo em direção à autonomia e à qualidade de vida para as irmãs. A expectativa de vê-las brincando e interagindo livremente impulsiona a equipe de mais de 50 profissionais, que trabalham incansavelmente para garantir um futuro promissor. Este esforço coletivo não só muda a vida de Heloísa e Helena, mas também reforça o papel do Brasil como um polo de inovação e humanidade na medicina mundial, inspirando novas pesquisas e tratamentos para casos semelhantes e solidificando a reputação do hospital como um centro de excelência e esperança.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quantas cirurgias as gêmeas Heloísa e Helena devem passar no total?
As gêmeas passarão por um total de cinco cirurgias para sua separação completa, que está prevista para ser concluída até o final deste ano. A intervenção mais recente, ocorrida neste sábado, foi a terceira etapa desse processo.

Qual a especialidade do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto neste tipo de procedimento?
O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto se tornou uma referência nacional em cirurgias de separação de gêmeos siameses craniópagos (unidos pela cabeça), tendo conduzido com sucesso três casos de alta complexidade, incluindo o de Heloísa e Helena, desde 2018.

Qual a complexidade da separação de gêmeas unidas pela cabeça (craniópagas)?
A separação de gêmeas craniópagas é extremamente complexa devido à união de tecidos, vasos sanguíneos e, muitas vezes, partes do cérebro. Requer uma abordagem multidisciplinar, tecnologia avançada (como modelos 3D e realidade aumentada) e um cronograma cirúrgico em várias etapas para minimizar riscos e permitir a adaptação gradual do cérebro e dos tecidos.

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Fonte: https://g1.globo.com

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