Galinha adota filhotes de gata em chácara e surpreende interior de São

 Galinha adota filhotes de gata em chácara e surpreende interior de São

G1

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Em um acontecimento que desafia as expectativas da natureza e reacende a percepção sobre o instinto maternal no reino animal, uma galinha em uma chácara na cidade de São Carlos, interior de São Paulo, assumiu um papel inusitado de “mãe adotiva” de filhotes de gata. A história da galinha que adota filhotes de gata rapidamente cativou os moradores e demonstra uma convivência pacífica e surpreendente. Esse comportamento altruísta se desenrola com a ave dedicando-se a aquecer e proteger os recém-nascidos no ninho, enquanto a mãe felina, de forma complementar, retorna apenas para amamentar e realizar a higiene dos seus filhotes. A cena, observada de perto pelos proprietários da propriedade rural, tornou-se um exemplo notável de harmonia interespecífica, celebrando a capacidade de diferentes espécies coexistirem em um laço de cuidado e afeto.

Um lar incomum: a descoberta da “adoção”

A chácara, um cenário de rotinas e simplicidade, foi palco de uma revelação que deixou a proprietária, Maria Roseli Finotte Festa, completamente perplexa. Acostumada a recolher ovos, Maria teve sua atenção voltada para um ninho onde esperava encontrar apenas ovos e a galinha em seu comportamento usual. No entanto, a realidade superou qualquer expectativa. Ao se aproximar, em vez de pintinhos, ela avistou pequenos filhotes de gata aninhados sob as asas da ave, que os protegia como se fossem seus próprios.

A surpresa dos proprietários da chácara

A descoberta inicial gerou um misto de espanto e curiosidade. “Voltei para trás e falei para meu marido: ‘Você colocou os ninhos para a galinha chocar ou para criar gato?'”, relatou Maria Roseli, descrevendo o momento em que se deparou com a cena inusitada. A imagem dos gatinhos confortavelmente abrigados pela galinha dentro do ninho era algo nunca antes visto na propriedade. Desde então, a família passou a observar com fascínio a dinâmica singular que se estabeleceu entre os animais, uma convivência que se mantém em total paz e harmonia, desprovida de qualquer sinal de conflito ou estranhamento.

Uma parceria maternal única: a dinâmica da guarda compartilhada

O arranjo entre a galinha e a gata para o cuidado dos filhotes se estabeleceu de maneira natural e harmoniosa, como uma verdadeira “guarda compartilhada” instintiva. A galinha assumiu o papel de protetora e provedora de calor constante, permanecendo no ninho e aquecendo os gatinhos em tempo integral, especialmente na ausência da mãe biológica. Esse cuidado vital garante o bem-estar dos pequenos, oferecendo-lhes um ambiente seguro e aconchegante, essencial para seu desenvolvimento nos primeiros dias de vida. A gata, por sua vez, complementa essa dedicação com responsabilidades igualmente cruciais, mas de forma mais intermitente.

O papel distinto de cada mãe na chácara de São Carlos

A mamãe gata desempenha um papel específico e fundamental, comparecendo ao ninho em momentos pontuais para amamentar seus filhotes e realizar a higiene necessária. Após cumprir essas tarefas essenciais, a felina se afasta para suas atividades habituais, deixando os gatinhos sob a custódia da galinha. “Não tem briga, não tem nada”, confirmou Maria Roseli Finotte Festa, observando a total ausência de atritos ou disputas territoriais entre as duas mães. Essa divisão de tarefas, onde cada animal contribui com suas habilidades e instintos de maneira complementar, resultou em um sistema de cuidado eficiente e surpreendentemente pacífico, mostrando uma notável adaptação para garantir a sobrevivência e o conforto da ninhada.

O olhar da ciência: a perspectiva veterinária

A inusitada relação de cuidado entre a galinha e os filhotes de gata atraiu a atenção de especialistas, que buscam compreender os fatores por trás de tal comportamento. A médica veterinária Stéphanie Ferguson Motheo analisou a situação, classificando-a como uma interação diferenciada e digna de estudo. Ela explicou que, embora incomum, o fenômeno se alinha a certos aspectos do instinto animal, onde o cuidado maternal pode, em circunstâncias específicas, transcender as barreiras das espécies. A veterinária ressaltou a inteligência e adaptabilidade dos animais envolvidos, que encontraram uma forma funcional de cooperação para garantir a proteção e o desenvolvimento dos filhotes.

Especialista explica a singularidade da relação interespecífica

Segundo Stéphanie Ferguson Motheo, o que torna essa relação particularmente notável é a especialização dos papéis: a gata retorna para a amamentação e os cuidados de higiene, funções que a galinha não poderia desempenhar, enquanto a galinha se encarrega da proteção e do aquecimento, inclusive contra potenciais predadores. “E acalenta naquele momento, uma vez que a gatinha só vai em momentos específicos”, complementou a veterinária, destacando o conforto e a segurança emocional que a galinha oferece continuamente aos gatinhos. Essa divisão de trabalho não apenas é eficaz, mas também demonstra uma capacidade notável de adaptação e altruísmo dentro do reino animal, sublinhando como o instinto de proteção pode se manifestar de maneiras inesperadas e tocantes.

A visão dos moradores: encanto e harmonia

A inusitada família formada pela galinha e seus filhotes de gata não apenas surpreendeu os adultos da chácara, mas também encantou profundamente os mais jovens. Sarah Maria Festa Lopes, de 11 anos, que reside no sítio e acompanha de perto a convivência diária dos animais, expressou sua admiração pela cena que se desenrola em seu lar. Para ela, o comportamento da galinha é um misto de curiosidade e beleza, um testemunho vivo da capacidade dos animais de formarem laços que transcendem as diferenças biológicas.

A alegria da família com a convivência pacífica

A jovem Sarah Maria não esconde seu fascínio. “Engraçado né? Pelo fato da galinha ter adotado os filhotinhos, mas acho bem legal”, comentou, refletindo o sentimento geral de carinho e aceitação que permeia a chácara. A família celebra a harmonia e a paz que reinam entre os animais, considerando-a uma lição de convivência e cooperação. A galinha, com seu instinto maternal aflorado, e a gata, com sua confiança no arranjo, demonstram que o afeto e o cuidado podem superar quaisquer barreiras de espécie, criando um ambiente de suporte e segurança para os filhotes, e de admiração para todos que testemunham essa história singular no interior paulista.

Um desfecho de carinho e cooperação

A história da galinha que adota filhotes de gata na chácara de São Carlos transcende a mera curiosidade, consolidando-se como um notável exemplo de cooperação interespecífica e do poder do instinto maternal. Este arranjo singular, onde a galinha provê calor e proteção enquanto a gata retorna para as necessidades biológicas essenciais, não apenas garante o bem-estar dos filhotes, mas também oferece uma perspectiva inspiradora sobre a capacidade de convívio harmonioso entre diferentes espécies. A observação dos proprietários e a análise veterinária confirmam que, mesmo nas situações mais inesperadas, a natureza pode nos presentear com lições profundas de empatia, cuidado e resiliência, reforçando a ideia de que o amor e a proteção não conhecem barreiras.

Perguntas frequentes sobre a galinha ‘mãe adotiva’

É comum galinhas adotarem outras espécies?
Não, este é um comportamento considerado raro e atípico. Embora animais de diferentes espécies possam criar laços, a adoção de filhotes de outra espécie por uma galinha, especialmente de um predador natural como o gato, é uma ocorrência bastante incomum e surpreendente. Ela reflete a força do instinto maternal e a adaptabilidade individual dos animais envolvidos.

Como a gata e a galinha dividem os cuidados com os filhotes?
Neste caso específico, a galinha assume o papel de protetora e provedora de calor constante no ninho, enquanto a gata, a mãe biológica, retorna em momentos específicos para amamentar e realizar a higiene dos filhotes. Essa “guarda compartilhada” instintiva permite que cada mãe contribua com suas capacidades únicas para o bem-estar da ninhada.

Quais os riscos para os filhotes nessa situação inusitada?
De acordo com a veterinária Stéphanie Ferguson Motheo, a relação observada parece ser harmoniosa e benéfica para os filhotes, já que a galinha oferece proteção e calor. O principal risco, que não se manifestou neste caso, seria a falta de aceitação ou agressão por parte de um dos animais, ou a carência de cuidados específicos que a espécie mãe oferece. A vigilância dos proprietários é crucial para garantir que a harmonia persista e que os filhotes recebam todos os cuidados necessários.

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Fonte: https://g1.globo.com

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