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Renda e cor ainda impactam conclusão do ensino médio no brasil
© Antônio Cruz/Agência Brasil
Estudo recente revela avanços na conclusão do ensino fundamental e médio no Brasil na última década, impulsionados por melhorias no ensino e políticas pedagógicas. Apesar do progresso notável na inclusão, disparidades significativas persistem, especialmente em relação à renda e raça.
O levantamento, baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e do seu Módulo Educação, conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), comparou os índices de conclusão da educação básica na idade apropriada (16 anos para o ensino fundamental e 19 para o médio) entre 2015 e 2025.
Os resultados indicam um aumento expressivo no número de alunos que concluíram o ensino fundamental até os 16 anos, passando de 74,7% em 2015 para 88,6% em 2025, representando um salto de 13,9 pontos percentuais. No ensino médio, o crescimento foi ainda mais expressivo, saltando de 54,5% para 74,3%, com um incremento de 19,8 pontos percentuais.
Apesar dos avanços, a renda continua sendo o fator mais determinante na conclusão do ensino médio. A diferença na taxa de conclusão entre os 20% mais pobres e os 20% mais ricos diminuiu ao longo da década, mas permanece considerável. Em 2025, a taxa de conclusão entre os mais pobres ainda é significativamente menor do que a dos mais ricos, indicando que, no ritmo atual, a igualdade de oportunidades na conclusão do ensino médio pode levar décadas para ser alcançada.
A questão racial também desempenha um papel importante, embora menos determinante que a renda. Estudantes brancos e amarelos apresentam taxas de conclusão superiores às de estudantes pretos, pardos e indígenas (PPI). Mesmo entre os mais pobres, a questão racial influencia as taxas de conclusão, com homens PPIs apresentando as menores taxas entre os segmentos.
As disparidades regionais também persistem, com as regiões Norte e Nordeste apresentando as maiores evoluções na década, mas ainda ficando atrás das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul em termos de taxas de conclusão.
O estudo destaca a necessidade de ampliar e acelerar os esforços para evitar a evasão escolar e o atraso na conclusão dos ciclos de ensino. Entre as soluções consideradas, estão a ampliação de políticas de apoio à continuidade de estudos, o uso do ensino integral como política pedagógica e políticas de recomposição das aprendizagens. Ações específicas que visem à redução das desigualdades socioeconômicas, raciais e regionais são cruciais para garantir que todos os estudantes tenham a oportunidade de concluir o ensino médio.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br