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	<title>vicária &#8211; Jornal Digital da Região Oeste</title>
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	<description>Notícias atualizadas da Região Oeste com credibilidade e agilidade. Acompanhe política, economia, cultura, esportes e muito mais no Jornal Digital.</description>
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		<title>Caso de Itumbiara acende alerta para violência vicária: entenda a gravidade</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Feb 2026 03:01:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A tragédia ocorrida em Itumbiara, Goiás, que chocou o país, trouxe à luz uma forma de agressão frequentemente invisibilizada e pouco debatida: a violência vicária. Este tipo de violência, embora sistemático e com impactos devastadores, permanece submerso nas discussões cotidianas sobre violência contra a mulher. No caso em questão, um homem ceifou a vida de seus dois filhos e, posteriormente, a sua própria, em um ato extremo que especialistas identificam como uma tática cruel de punir e atingir psicologicamente a mãe das crianças. A gravidade deste evento não apenas acende um alerta urgente para a sociedade, mas também impõe a necessidade de um entendimento aprofundado sobre suas características, manifestações e as formas de combatê-la.</p>
<p> A natureza devastadora da violência vicária</p>
<p> Definição e manifestações do agressor<br />
A violência vicária é caracterizada pela ação de um agressor que busca infligir dor e sofrimento a uma mulher, utilizando como instrumentos pessoas ou até mesmo animais de estimação com os quais ela mantém um vínculo afetivo. O objetivo primordial é atingi-la psicologicamente, causando um dano irreparável. Na vasta maioria dos casos, os alvos são os filhos da vítima, dada a intensidade do laço afetivo. O lamentável episódio de Itumbiara exemplifica esta cruel dinâmica, quando o secretário de Governo da prefeitura local, Thales Machado, atirou contra seus dois filhos, de 12 e 8 anos, que infelizmente não resistiram, antes de tirar a própria vida.</p>
<p>Nesse cenário, o agressor frequentemente constrói uma narrativa meticulosa para se colocar como vítima, buscando responsabilizar a mulher pelo ocorrido. Antes de sua ação fatal, Thales Machado publicou uma carta em redes sociais, alegando uma suposta traição da esposa e uma crise conjugal. Essa manipulação é um traço marcante da violência vicária, onde o perpetrador, antes mesmo de cometer o ato, tenta transferir a culpa, expondo e difamando a imagem da mulher. Segundo especialistas, a vítima, além de sofrer a perda inestimável dos filhos, tem sua reputação e história expostas, sendo frequentemente responsabilizada pela tragédia por uma narrativa social e machista. A escolha de cometer o crime, no entanto, é sempre do agressor, e a mulher não deve ser culpabilizada por uma decisão que não foi dela.</p>
<p> Contexto e invisibilidade no Brasil<br />
Apesar de sua prevalência, a violência vicária é um fenômeno pouco discutido no Brasil. Especialistas apontam que ela se manifesta de forma sistemática no dia a dia, abrangendo desde situações sutis de manipulação até atos explícitos de extrema violência, como o assassinato dos próprios filhos. Um outro caso recente, envolvendo um servidor público que agrediu o filho e a ex-companheira, evidencia a persistência dessa dinâmica, onde o ataque à criança frequentemente precede a agressão à mulher. A agressão ou o maltrato a filhos, mães e até animais domésticos é uma ocorrência cotidiana em contextos de violência doméstica.</p>
<p>A raiz dessa violência reside em uma cultura machista profundamente arraigada no Brasil e em muitas partes do mundo. A assimetria de gênero, manifestada em diversas esferas como a política e a economia, onde mulheres frequentemente recebem salários inferiores apesar de qualificações equivalentes ou superiores, encontra na violência sua expressão mais brutal. É um instrumento de manutenção da mulher em um lugar de subalternidade e medo, cerceando sua liberdade e autonomia.</p>
<p> O combate à violência vicária e a proteção das vítimas</p>
<p> Reconhecimento e atuação da sociedade civil<br />
Organizações da sociedade civil, como o Instituto Maria da Penha, têm desempenhado um papel crucial na conscientização e no enfrentamento à violência vicária. A entidade reitera que essa é uma forma de violência de gênero que vitimiza mulheres através de crianças e adolescentes, que são usados como instrumentos de controle, punição ou chantagem. É imperativo compreender que não se trata de um &#8220;conflito familiar&#8221;, mas sim de uma grave violação de direitos humanos. Por muito tempo, essa prática foi normalizada, invisibilizada ou tratada como uma disputa privada, resultando no sofrimento silencioso de mulheres e em impactos profundos no desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes.</p>
<p>Avançar no debate e no reconhecimento é fundamental. O Brasil, por meio de uma resolução conjunta do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), oficialmente reconheceu a violência vicária como violência de gênero. Essa medida estabeleceu diretrizes para a atuação do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente, reforçando a necessidade de prevenção, proteção e resposta interinstitucional. Nomear essa violência é o primeiro passo para enfrentá-la, e a informação de qualidade é uma forma vital de proteção. As manifestações da violência vicária incluem ameaças envolvendo os filhos, afastamento forçado da convivência, manipulação emocional, falsas acusações, e até mesmo sequestro ou retenção ilegal de crianças.</p>
<p> A culpabilização da vítima e a responsabilidade do agressor<br />
Instituições como a Defensoria Pública Estadual de Goiás (DPE-GO) têm se posicionado firmemente contra a culpabilização da mulher em casos de violência vicária. Em notas públicas, a DPE-GO enfatiza que atos de abuso, violência e feminicídio são crimes, e que a prática de ferir os filhos para atingir a mãe possui um nome específico: violência vicária. A mensagem é clara e enfática: &#8220;Ela não tem culpa. Ponto final.&#8221;</p>
<p>A DPE-GO tem promovido campanhas, como a &#8220;Ela Não tem Culpa&#8221;, visando refletir sobre a constante culpabilização e julgamento das mulheres, mesmo quando são vítimas. A instituição reforça que a responsabilidade pela violência é sempre de quem a comete, independentemente do comportamento, da roupa ou da voz da vítima. Expor uma mulher vítima de violência pode, inclusive, configurar crime. Refletir sobre a culpabilização da mulher é um passo essencial para romper com as desigualdades de gênero que perpetuam os ciclos de violência, garantindo que a responsabilidade recaia sobre quem realmente a tem: o agressor.</p>
<p> Perguntas frequentes sobre violência vicária</p>
<p> O que é violência vicária?<br />
É uma forma de violência de gênero onde o agressor busca causar dor e sofrimento a uma mulher, atingindo-a psicologicamente por meio de pessoas ou animais de estimação com os quais ela tem um forte vínculo afetivo, especialmente os filhos.</p>
<p> Como a violência vicária pode se manifestar?<br />
Ela pode se manifestar de diversas formas, incluindo ameaças envolvendo os filhos, o afastamento forçado da convivência deles, manipulação emocional, falsas acusações contra a mulher, e até mesmo o sequestro ou a retenção ilegal de crianças.</p>
<p> Quem é responsabilizado em casos de violência vicária?<br />
A responsabilidade é sempre de quem comete a violência. Em casos de violência vicária, o agressor é o único culpado pelas ações e pelos danos causados, e a mulher vítima não deve ser responsabilizada pelos crimes cometidos por ele.</p>
<p>Se você ou alguém que conhece está vivenciando situações de violência vicária, procure ajuda imediatamente. Denuncie e busque apoio em órgãos especializados e serviços de proteção à mulher.</p>
<p><em>Fonte: <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://agenciabrasil.ebc.com.br</a></em></p>
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