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	<title>porta dos fundos &#8211; Jornal Digital da Região Oeste</title>
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	<description>Notícias atualizadas da Região Oeste com credibilidade e agilidade. Acompanhe política, economia, cultura, esportes e muito mais no Jornal Digital.</description>
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		<title>Agenda cultural: Quando a política entra pela porta dos fundos da cultura</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 15:39:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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		<category><![CDATA[Marluci Zanelato]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Marluci Zanelato As atrizes Regina Duarte e Gabriela Duarte foram convidadas pela Folha de S. Paulo para falar sobre o reencontro das duas nos palcos, na peça A Filha da…, a comédia nonsense de Carlos Eduardo Silva, adaptação e direção-geral de Darson Ribeiro com Clau Carvalho e Vinicius Tardelli, que comemora os Sessenta  anos de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por Marluci Zanelato</strong></em></p>
<p>As atrizes Regina Duarte e Gabriela Duarte foram convidadas pela Folha de S. Paulo para falar sobre o reencontro das duas nos palcos, na peça <strong>A Filha da…</strong>, a comédia nonsense de Carlos Eduardo Silva, adaptação e direção-geral de Darson Ribeiro com<strong> Clau Carvalho e Vinicius Tardelli</strong><strong>, que comemora os Sessenta  anos de Carreira e Oitenta de Idade  de Regina Duarte.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A comédia que marca a volta de mãe e filha a uma atuação conjunta depois de cerca de duas décadas, se passa nos anos de 1990 e mistura humor ácido com sátira política. Nesse cenário nostálgico do reencontro das atrizes, a conversa tinha como ponto de partida a estreia do espetáculo, o trabalho artístico e essa parceria familiar que volta ao teatro depois de tantos anos. Mas, ao longo da entrevista, o assunto tomou outro rumo, questões políticas relacionadas à trajetória de Regina Duarte passaram a ocupar espaço importante da conversa, provocando desconforto e, posteriormente, uma manifestação pública de Gabriela Duarte sobre a condução da entrevista.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E é justamente aí que começa uma discussão que vai muito além de Regina Duarte, Gabriela Duarte ou da própria Folha de S. Paulo. Até onde pode de deve ir o jornalismo quando uma entrevista nasce para falar de cultura?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Há uma pergunta que o jornalismo precisa fazer a si mesmo de tempos em tempos quando uma entrevista deixa de ser jornalismo e passa a ser uma armadilha?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É importante deixar claro, o jornalista não tem obrigação de poupar entrevistado de perguntas difíceis. Regina Duarte teve uma passagem pela Secretaria Especial da Cultura durante o governo Jair Bolsonaro, e suas posições políticas são públicas. Portanto, questioná-la sobre esse período não é por si só, inadequado. A imprensa tem todo o direito e até o dever de fazer perguntas relevantes sobre a trajetória de uma figura pública.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O problema começa quando a pergunta deixa de ser instrumento de informação e passa a parecer uma tentativa de produzir constrangimento. E essa diferença é fundamental.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma boa entrevista pode abordar política, cultura, comportamento e trajetória pessoal. O que não deveria acontecer é a pauta cultural virar apenas um pretexto para reabrir uma disputa política já conhecida. Porque, nesse caso, quem perde não é apenas o entrevistado, perde o jornalismo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Gabriela Duarte posteriormente manifestou seu incômodo com a condução e a edição da entrevista, afirmando que esperava uma conversa voltada ao trabalho artístico das duas e que a política acabou ganhando um espaço que, segundo ela, não correspondia ao propósito inicial da conversa. E aqui está o ponto que merece reflexão, independentemente de simpatia política.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Se Regina fosse de esquerda, eu defenderia exatamente o mesmo princípio, se fosse de direita, também e fosse uma atriz sem posicionamento político conhecido, igualmente. Entrevista jornalística não deveria ser tribunal ideológico.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O jornalismo tem uma função essencial que é a de perguntar aquilo que o público precisa saber, mas existe uma diferença enorme entre uma pergunta necessária e uma provocação construída para arrancar uma reação que depois será transformada em manchete.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Vivemos uma época em que o clique muitas vezes vale mais do que o contexto. Uma frase de dez segundos viraliza mais do que uma entrevista inteira, um momento de desconforto rende mais engajamento do que uma conversa sobre o processo criativo, a dramaturgia, a direção ou o significado de duas gerações de atrizes voltarem a dividir o palco. E talvez esse seja o aspecto mais preocupante dessa história, estamos começando a transformar o constrangimento em conteúdo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Regina Duarte pode ser criticada por suas escolhas políticas. Pode ser questionada por sua passagem pelo governo. Pode-se discordar de suas opiniões. Tudo isso faz parte de uma democracia. Da mesma forma, a Folha de São Paulo pode e deve ser criticada pela maneira como conduz uma entrevista, já que uma coisa não anula a outra.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Defender o direito de Regina Duarte ser questionada não significa concordar com ela, da mesma forma que criticar a condução da entrevista não significa defender suas posições políticas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E esse é justamente o exercício de maturidade que o jornalismo e também o público precisa recuperar. É possível discordar sem transformar toda conversa em guerra política.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A cultura brasileira já é suficientemente rica para merecer espaço próprio. Teatro não precisa ser apenas um palco para discutir partidos. Um reencontro entre mãe e filha não precisa ser reduzido ao passado político de uma delas. E jornalismo cultural não precisa abandonar a política quando ela for pertinente, mas precisa saber quando ela é pertinente e quando está apenas sendo usada para fabricar repercussão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Talvez a grande lição dessa entrevista seja justamente a de não precisamos escolher entre jornalismo crítico e jornalismo respeitoso, podemos e devemos ter os dois.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Perguntar é essencial, confrontar, quando necessário, também. Mas transformar o desconforto em espetáculo é outra coisa. E entre informar e provocar existe uma fronteira que o bom jornalismo deveria conhecer muito bem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>No fim, o palco deveria ser da arte, a política pode até aparecer nos bastidores. Mas não deveria apagar o espetáculo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><u>A FILHA DA&#8230; </u></strong></p>
<p><strong>Quando:</strong> De 27 de Agosto á 13 de Dezembro &#8211; Quinta, Sexta e Sábado às 20h00, Sábado e Domingo às 19h00, Domingo às 18h00</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Quanto: </strong>R$ 200,00 Inteira – R$ 100,00 Meia</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Onde:</strong> TEATRO BDO JARAGUÁ &#8211; Rua Martins Fontes,71 – CENTRO &#8211; SP</p>
<p>&nbsp;</p>
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