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	<title>Paraisópolis &#8211; Jornal Digital da Região Oeste</title>
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	<description>Notícias atualizadas da Região Oeste com credibilidade e agilidade. Acompanhe política, economia, cultura, esportes e muito mais no Jornal Digital.</description>
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		<title>De baixo para cima: uma perspectiva inédita da desigualdade em são paulo</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Nov 2025 08:00:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Uma imagem aérea de 2004, capturada por Tuca Vieira e publicada na &#8220;Folha de S.Paulo&#8221;, retrata um contraste gritante: um edifício de luxo com piscinas privativas por andar, lado a lado com a favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo. A foto rapidamente se tornou um símbolo da desigualdade social no Brasil, ganhando [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma imagem aérea de 2004, capturada por Tuca Vieira e publicada na &#8220;Folha de S.Paulo&#8221;, retrata um contraste gritante: um edifício de luxo com piscinas privativas por andar, lado a lado com a favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo. A foto rapidamente se tornou um símbolo da desigualdade social no Brasil, ganhando destaque internacional e ilustrando livros escolares sobre o Índice de Gini.</p>
<p>Enquanto a imagem impactou o mundo, dentro de Paraisópolis, a percepção é diferente. Geovan Oliveira, diretor da União de Moradores, compara a situação a um sapo cozinhando lentamente em água aquecida: a realidade da desigualdade, vivenciada diariamente, não causa o mesmo choque que a foto provoca em quem a observa de fora. &#8220;A foto fala muito mais para fora do que para dentro&#8221;, afirma Geovan.</p>
<p>Visto de baixo, o edifício Penthouse se impõe, lançando sua sombra sobre a segunda maior favela de São Paulo, com 10 km². Moradores mais antigos reconhecem a imagem, popularizada pela abertura da novela &#8220;Vale Tudo&#8221;, mas no cotidiano, as disparidades parecem se diluir.</p>
<p>Em um salão de cabeleireiro próximo ao muro que separa os dois mundos, três amigas conversam. &#8220;Eu acho ele [o prédio] feio, ninguém cuida&#8221;, diz Liu, de 60 anos. Mercedes, de 45 anos, complementa: &#8220;O prédio não incomoda, quem ficou incomodado foi quem se mudou para não ter a vista da favela&#8221;. Ambas chegaram a Paraisópolis na década de 90, após a construção do edifício, erguido em 1979, um símbolo de riqueza com sua piscina por andar.</p>
<p>As amigas relatam que suas vidas melhoraram significativamente, com maior acesso a comida, lazer e tecnologia. &#8220;Não tem nem comparação, hoje tem muito mais estrutura. Mas ainda falta um hospital ou um ambulatório com especialidades&#8221;, diz Rosemeire, de 57 anos, nascida em Paraisópolis e filha de fundadores da comunidade.</p>
<p>Dados recentes do IBGE indicam que a renda média dos brasileiros aumentou, atingindo o maior valor da série histórica em 2024. O Brasil também registrou o menor nível de desigualdade de renda, com o Índice de Gini em 0,506. No entanto, um relatório do banco UBS aponta o Brasil como um dos países mais desiguais do mundo, com um Índice de Gini de 0,82.</p>
<p>Apesar da melhora na renda e da discussão sobre a desigualdade, os dois mundos continuam distantes. Moradores do Penthouse nunca frequentaram o salão de cabeleireiro das amigas ou o mercadinho local. Adélio, um barbeiro de 30 anos, acredita que o preconceito e o medo impedem a aproximação. &#8220;Tem muito empresário e muito preconceito. Eles têm medo de entrar aqui&#8221;, afirma. Geovan observa que a presença da Polícia Militar é mais frequente em Paraisópolis do que nos prédios do Morumbi. &#8220;A lei que eles aplicam aqui, não aplicam lá&#8221;, diz.</p>
<p>O zelador do prédio, morador de Paraisópolis, parece ser uma rara ponte entre os dois mundos. Ele relata que muitos moradores do Penthouse enfrentam dificuldades financeiras, com apartamentos sendo leiloados e até quatro unidades desocupadas.</p>
<p>Tuca Vieira, o fotógrafo por trás da imagem icônica, visitou Paraisópolis diversas vezes após a repercussão da foto. Ele lamenta a banalização do uso de drones na fotografia aérea, que, segundo ele, cria um distanciamento da realidade. &#8220;Eu acho que é importante ir. Eu acho interessante falar disso, dessa possibilidade de duas visões&#8221;, afirma Vieira.</p>
<p>Paraisópolis, uma comunidade centenária, abriga mais de 58,5 mil pessoas em 21,4 mil moradias, de acordo com o Censo IBGE 2022. Sua história remonta a 1921, quando a área fazia parte da Fazenda do Morumbi. A ocupação informal começou por volta de 1950, com famílias transformando a área em pequenas chácaras. A valorização da região, impulsionada pela construção de bairros de alto padrão e a abertura de vias de acesso, intensificou o processo de ocupação nas décadas seguintes.</p>
<p><em>Fonte: g1.globo.com</em></p>
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